(Dói)
Eu falo demais, tem hora q falo bobagem, tem hora q digo exatamente o q quero dizer. Eu escrevo e releio mil vezes o q escrevo, e depois vejo q ainda podia ser melhor, ou pelo menos diferente. Eu sou metamorfose, eu sou múltipla, ensino pelo prazer q tenho em aprender, mas não quero aprender tudo que querem q eu saiba pra fazer mestrado, por exemplo, porque eu descobri que gosto de literatura pelo prazer e não pela análise, e q não quero ser intelectual e nem quero ter filhos,e também quero aprender um dia a morrer, nós q morremos cada dia um pouco. Eu sou vaidosa, mas tenho me despido cada vez mais dela, sou narciso, adoro água e foto q eu tiro de mim, mas tem umas q eu fico mais feia q sou. Eu sou bonita, descobri depois de ser patinha feia. Eu falo palavrão, eu não sei fazer as unhas mas faço sempre, eu sou atriz , mas nunca hipócrita, eu gosto de observar as pessoas, eu gosto de cantar, eu não vou ter tempo de fazer tudo o q quero, eu sou intensa, eu tenho tecla foda-se, eu sou chata, eu sou a mais diplomática, a conselheira sentimental q não vê um palmo na frente pra si mesma, cabra cega, peço opinião, me influencio relativamente fácil, beleza é importante, ler coisas boas é vital, eu não tenho vergonha de dizer q não sei e que ouço música ruim, pq ninguém tem pago minhas contas, nem eu. Eu aprendi a rir de mim mesma, eu descubro prazer em tudo o q faço, inclusive em ser eu mesma. Eu aprendo línguas porque gosto viajar e de gente, mas a média dos seres humanos é medíocre.Eu carrego uma dor como todo mundo, q é, sim, solitária e sem sentido, as outras são sempre necessidade.Não desisto nunca, enfrento o grande da vida seja do tamanho q for, ando errado, pelo simples prazer de ser. Eu sou feliz mesmo com todos os "mas", tenho opiniões e sei argumentar pra convencer quem eu quiser delas, mas só se eu estiver a fim.Cada vez mais eu vou além do q acho q poderia, e isso não me assusta nem me conforta. Eu dou as cartas e consigo tudo tudo o que quero, sempre.
"Vc, Harry, sempre foi um artista e um pensador, um homem cheio de fé e de alegria, sempre ao encalço do grande e do eterno, nunca se contentando com o bonito e o mesquinho. Mas quanto mais foi despertado pela vida e conduzido para dentro de si mesmo, tanto maior tornou-se sua necessidade, tanto mais fundo mergulhou no sofrimento, na timidez, no desespero, mergulhou até o pescoço,e tudo o que no passado conheceu, amou e venerou como belo e santo, toda a sua fé de então nos homens e em nosso elevado destino, nada pôde ajudá-lo, tudo perdeu o valor e se fez em pedaços. Sua fé não encontrou mais ar que respirasse. E a morte por asfixia é uma morte muito dura. Não é verdade, Harry? Não é este o seu destino?(...) Vc trazia no íntimo uma imagem da vida, uma fé, uma exigência; estava disposto a feitos, a sofrimentos, a sacrifícios e logo aos poucos notou que o mundo não lhe pedia nenhuma ação, nenhum sacrifício nem algo semelhante; que a vida não é nenhum poema épico, E quem aspira a outra coisa e traz em si o heróico e o belo,a veneração pelos grandes poetas ou a veneração pelos santos,não passa de um louco ou de um Quixote. (...). Mas como tivesse bons olhos e ouvidos, e, além disso, fosse curiosa, examinei a vida com certa atenção,observei meus vizinhos e conhecidos, mais de cinqüenta pessoas e destinos, estavam mil vezes certos, assim como os seus, mas a vida, a realidade não tinha razão. Pensa que eu não pude reconhecer sua angústia diante do Fox-trot, sua repugnância pelos bares e (...) Compreendia e muito bem, como compreendia seu horror pela política, sua tristeza pelo palavreado vão e a conduta irresponsável dos partidos e da imprensa; seu desespero diante da guerra, as passadas e as futuras; pela maneira como hoje se pensa, se lê, se edifica, se compõe música, se celebram as festas e se educa! Vc tem razão, Lobo da Estepe, mil vezes razão e contudo terá de perecer. Vive demasiadamente faminto e cheio de desejos para um mundo tão singelo, tão cômodo, que se contenta com tão pouco; para o mundo de hoje em dia, que lhe cospe por cima, vc tem uma dimensão a mais" Herman Hesse
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