segunda-feira, 9 de julho de 2007

Humano, demasiado humano

"... und wer etwas von den Folgen erräth, die in jedem tiefen Verdachte liegen, etwas von den Frösten und Aengsten der Vereinsamung, zu denen jede unbedingte Verschiedenheit des Blicks den mit ihr Behatteten verurtheilt, wird auch verstehen, wie oft ich zur Erholung von mir, gleichsam zum zeitweiligen Selbstvergessen, irgendwo unterzutreten suchte - in irgend einer Verehrung oder Feindschaft oder Wissenschaftlichkeitoder Leichtfertigkeit oder Dummheit; auch warum ich, wo ich nicht fand, was ich brauchte, es mir künstlich erzwingen, zurecht fälschen, zurecht dichten musste ( -und was haben Dichter je anderes gethan? und wozu wäre alle kunstin der Welt da?). Was ich aber immer wieder am nöthingsten brauchte, zu meiner Kur und Selbstwiederherstellung, das war der Glaube, nicht dergestalt einzel zu sein, einzeln zu sehn, - ein zauberhalfter Argwonh von Verwandtschaft, eine Blinheit zu Zweien ohne Verdacht und Fragezeichen, ein Genuss an Vordergründen, Oberflächen, Nahem, Nächstem, an Allem, was Farbe, Haut und Scheinbarkeit hat."
(Menschliches, Allzumenschliches - Ein Buch für freie Geister. Friedrich Nietzsche, 1886)


Ou seja (cerveja!):

"... e quem adivinha ao menos em parte as conseqüências de toda profunda suspeita, os calafrios e angústias do isolamento, a que toda incondicional diferença do olhar condena quem dela sofre, compreenderá também com que freqüência, para me recuperar de mim, como para esquecer-me temporariamente, procurei abrigo em algum lugar- em alguma adoração, alguma inimizade, leviandade, cientificidade ou estupidez; e também por que, onde não encontrei o que precisava, tive que obtê-lo à força de artifício, de falsificá-lo e criá-lo poeticamente para mim (- que outra coisa fizeram sempre os poetas? Para que serve toda a arte que há no mundo?). Mas o que sempre necessitei mais urgentemente,para minha cura e restauração própria, foi a crença de não ser de tal modo solitário, de não ver assim solitariamente - uma mágica intuição de semelhança e afinidade de olhar e desejo, um repousar na confiança da amizade,uma cegueira a dois sem interrogação nem suspeita, uma fruição de primeiros planos, de superfícies, do que é próximo e está perto, de tudo o que tem cor, pele e aparência."

(Humano, demasiado humano. Um livro para espíritos livres, Friedrich Nietzsche, 1886)

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