Acabei de fazer:
"Quando nasci, uma tia baixinha
dessas bem baixinhas e brabas
disse: Vai, menina! Ser Bárbara na vida!
Gauche já foi o Carlos
Carregou bandeira a Adélia
Por causa do Chico Buarque, serás então Bárbara
(somente Bárbara, diria um poeta, anos mais tarde)
Tomei a sina pra mim
E bora ser Bárbara, pois sim!
A vida talvez fosse azul...
Não fosse a sina assumida
Ser bárbara assim todo dia,
Coisa que dá um trabalho!
A moça atrás das lentes de contato
Tem olhos que ninguém sabe a cor
Diplomática que aprendeu a ser,
Tem muitos, muitos amigos (e sonhos)
A moça atrás das lentes de contato.
Então a moça, bárbara que era, quis viver muitas vidas
E resolveu fazer teatro
(não admitira ela que houvessem outras vidas que por ela não fossem vividas)
E quis viajar muito pra conhecer pessoas e lugares
(não admitira ela que houvessem pessoas e lugares que por ela não fossem conhecidos)
Aí às vezes ela brada:
Meu Deus porque me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraca.
Mundo mundo, vasto mundo
Mais vasta é minha sina
Vou cumprindo, acertando e errando
E pra quando erro (e são tantas vezes)
Tatuei a flor de lótus
E aí emerjo, na superfície
para florescer e errar
quantas outras vezes for necessário.
(Para ser Bárbara, há de ser desdobrável. Eu sou.)"
sexta-feira, 22 de junho de 2007
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5 comentários:
Ainda naõ li seu texto. MAs li sobre o Caio. Amo Caio.
Um beijo
A Lu foi comentar aqui e me fez um poema.
"Bárbaro, Bárbara idéia, Barbaridade é não te conhecer, lindo poema, linda pessoa de bárbaras idéias."
Posso?
Evoé Bárara!
"Da lama nasce a flor de Lótus"
Menina, que lindo esse seu poema! Tem a sua cara! As quebras no ritmo, as imagens precisas e claras...muito bem...tem uma segunda carreira, sim.
Um abraço, Fernando Brandão
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