sábado, 21 de fevereiro de 2009

Eu confesso que afinal, aliás... é

Ah, você. Que é que eu faço com essas marcas que ficaram? Me diz. Melhor: não diz. Não quero nem lembrar daquela voz rouca e da língua meio enrolada. E o olhar. Que mais parecia dizer sorry-you’re-so-fucked. Admito. Você me ferrou. Um pouquinho. Não muito nem muito fundo. Ilusõezinhas não ferram pra sempre. Só por um tempo. E apesar de todos os pesares, silêncios, sumiços, surpresas, gostava da emoção. Batimentos acelerados, ácidos jorrando no estômago. Vida. Ou sensação de vida. Esquece-relembra-esquece-relembra. E sofre. Não o sofrimento genuíno de quem amou, sentiu, viveu. Pior. A dor do quase. Quase foi, quase bateu, quase aconteceu direitinho. Não chega a arder. Só coça. Uma coceirinha insana em momentos impróprios. Você vai se dispersando aos poucos. Perco os detalhes. A nitidez. As lembranças escorregam. E vão embora. Mas você fica aqui em algum lugar que não sei qual é.


Caio Fernando Abreu, em "Os sapatinhos vermelhos"

domingo, 7 de outubro de 2007

sábado, 6 de outubro de 2007

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zoo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em enumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casa.
Para que
doravante
a família
seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.

Vladimir Maiakóvski
O Amor

Tirado de um blog...

"Todas as mulheres queriam ser Bárbara, foi o que me segredou a mais próxima de mim, caminhando ao meu lado pela areia... eu disse a ela que estava muito difícil encontrar azeitonas na praia, durante o percurso inteiro, vi apenas uma encravada na areia suja. No mais, era uma sujeira que a onda atirava, restos de redes de pescadores e sargaços. Não havia sol e era em algum lugar da Bahia, e todo mundo queria ser Bárbara e eu era Bárbara, tinha certeza disto. Na casa o perfume de plantas e ervas tornava o ar quase sólido, e as pessoas preparavam uma festa. E crianças corriam e se divertiam, menos o menino quieto, pequeno, de cabelos longos, vestido como um garoto do século XIX, de suspensórios e calça nos joelhos. Encantei-me com ele, e não deixaram que eu o tirasse do quarto, era uma cama antiga e um menino que queria brincar, proibido de brincar. Entre as cenas de ciúmes de um casal, deixo a casa, pensando em onde estaria Calabar? No caminho conchas violáceas, finas e transparentes estão espalhadas pela areia, coloco em uma pequena cesta de vime, e sigo me encantando com a cor das conchas, suas formas estranhas...
(Sonho da noite passada, meio à Jack Kerouac registro. Calabar era de Pernambuco, não da Bahia. Bárbara era sua amada... Outro dia falei com a Lindsey Rocha sobre peças de Teatro, e falamos desta peça. Das músicas da peça que cantam a Bárbara, a que me enjoa um pouco, por se tornar um refrão que todo mundo repetia, quando me conhecia... - Bárbara, Bárbara, nunca é tarde, nunca é demais - e tem a outra... Cala a boca, Bárbara! que me significa...)"

Cala a boca, Bárbara

Chico Buarque - Ruy Guerra/1972/1973
Para a peça Calabar de Chico Buarque e Ruy Guerra


Ele sabe dos caminhos
Dessa minha terra
No meu corpo se escondeu
Minhas matas percorreu
Os meus rios
Os meus braços
Ele é o meu guerreiro
Nos colchões de terra
Nas bandeiras, bons lençóis
Nas trincheiras, quantos ais, ai
Cala a boca
Olha o fogo
Cala a boca
Olha a relva
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara
Ele sabe dos segredos
Que ninguém ensina
Onde guardo o meu prazer
Em que pântanos beber
As vazantes
As correntes
Nos colchões de ferro
Ele é o meu parceiro
Nas campanhas, nos currais
Nas entranhas, quantos ais, ai
Cala a boca
Olha a noite
Cala a boca
Olha o frio
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca Bárbara

O haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
Vinicius de Moraes
(1913-1980)

domingo, 30 de setembro de 2007

Deu trabalho digitar

Saramago, Clarice Lispector, Sartre, Camus, Guimarães Rosa,J. D. Salinger, Proust, Katherine Mansfield, Galeano, Herman Hesse, Beckt, Brecht, Lygia Fagundes Telles, Hatoum, Coetzee, Flora Süssekind, Voltaire, Gogol, Kafka, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar, João Ubaldo, Luís Fernando Veríssimo, Harold Pinter, Neil Gaiman,Drummond,Hilda Hilst, Michel Butor, Rubem Fonseca, Marquez, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira,Nelson Rodrigues, Milan Kundera, Annouilh, Breton,Rilke, Goethe, Baudelaire, Dostoiévski, Flaubert, Poe, Nassar, Elliot, Rousseau,Nietzsche, Adélia Prado, José Paulo Paes, Machado,Cecília Meirelles, Nerval, Rimbaud,
Balzac, Shakeaspere,Prévert, Hegel, Sófocles, Ana Cristina César, Haroldo de Campos, Ferreira Gullar, Millôr, Mário Quintana, Leminski, Augusto de Campos, Cabral, Breton, Vinícius, Erich Maria Remarque, Virgínia Woolf.

Literatura, teatro,amigos, línguas, narguilé, família,viagens, net, chá matte com limão,sorrisos, fotografia, cinema, brownie com sorvete de creme, Jones, boa cozinha, dar risada, ler, bons filmes, aprender-ensinar, beber com os amigos, dormir, chocolate branco, chuva, casa da mãe, cães e fuinhas.

Professora
Atriz
Datilógrafa :)
Leitora
Crítica
Revisora
Organizadora de gavetas
Fazedora de unhas (as próprias)

Tarantino, Ingmar Bergman, Lars von Trier, Wim Wenders, Baz Luhrmann, Almodóvar, algum Walter Salles, Clint Eastwood, Stephen Daldry,Francis Ford Coppola, David Lynch, Ettore Scola, François Truffaut, Federico Fellini, Beto Brant, Buster Keaton, Laís Bodanzky, Fernando Meirelles

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A Mulher de Libra.

Se vocę gosta de mulheres que adoram conversar sobre qualquer assunto, e parecem nunca saber a hora de parar de falar, entăo acaba de encontrar a outra metade da laranja!
Mas, ao contrário de imaginar que passar horas ao seu lado conversando sobre os mais variados assuntos pode ser uma chatice, vai acabar ficando encantado. Ela vai dar aquele sorriso insuportavelmente delicioso a cada tręs frases que disser, e vocę vai sentir o quăo maravilhosa ela pode ser. Esta mulher parece brilhar quando faz aquilo que mais gosta: discutir um assunto!
A libriana é feita de bondade, delicadeza, justiça, amizade teimosia e indecisăo.
Apesar de parecer frágil e ser muito feminina em seus gestos, na forma de se vestir e de falar, a libriana é o tipo de mulher que pode surpreender quando resolve arregaçar as mangas da camisa para fazer um trabalho estritamente masculino. Ela vai se sentir como se estivesse em casa se tiver que dirigir um caminhăo ou laçar um touro selvagem. Esta mulher, apesar de muito feminina, possui um traço masculino que, volta e meia, costuma cobrir o lado feminino. Mas em nenhum momento ela perde sua feminilidade. Antes de pegar o machado para derrubar uma arvore, ela vai passar o batom, arrumar o cabelo e borrifar um pouco de perfume que é para deixa-la mais a vontade.
Mesmo quando estiver nervosa a libriana tentará parecer calma ou, pelo menos, controlada.
A mulher de Libra é altamente intelectual e possui um grande poder de análise, que pode ser muito útil para resolver os problemas dos negócios do parceiro. Raramente ela deixará que as emoçőes a impeçam de tomar uma decisăo desapaixonada ou de fazer um julgamento equilibrado. Com certeza, ela é muito melhor que o gerente do seu banco.
Seu temperamento foi feito para o trabalho em equipe. Ela quer participar do maior numero possível de decisőes que o parceiro tomar. Deseja fazer tudo a favor do parceiro e é mulher suficiente para segui-lo quando ele desejar mudar de profissăo, país ou fazer novas amizades. Ela adora estar cercada por pessoas, sente-se no paraíso quando pode reunir uma multidăo de amigos para uma festa, onde vai passar horas dançando e se divertindo como poucos.
Poucas săo as librianas que sofrem de depressăo ou tem problemas crônicos de saúde.
O segredo de sua vitalidade está em seu temperamento racional, pacífico e a repulsa que tem a impacięncia. Pessoas impacientes e desesperadas costumam causar um mal estar na libriana, que podem tira-la do sério. Mas a maioria vai simplesmente preferir manter-se a longas distancias de pessoas nervosas e impacientes. Săo poucas as mulheres de Libra que tem amizades com gente estressada. Elas até podem ser colegas, dizer um "bom dia" no ponto de ônibus, mas jamais farăo um esforço para convidar esta pessoa para freqüentar sua casa.
A mulher de libra detesta a confusăo, e normalmente precisa da harmonia para manter a estabilidade emocional.
Ela costuma ser dominadora, do tipo que gosta que todos estejam ao seu lado e façam o que quer. Porém a libriana nunca vai forçar ninguém a obedece-la. Sua măo de ferro sempre estará calçada em uma luva de veludo, sua vontade e seu egoísmo sempre estarăo acompanhados por sua delicadeza, educaçăo e o mesmo sorriso encantador de sempre. É assim que normalmente ela costuma conseguir o que quer: fazendo com que as pessoas pensem que foram elas que escolheram ser suas prisioneiras por livre e espontânea vontade. Ela tem um jeito tăo educado de impor suas vontades, que a gente fica até sem jeito de dizer "NĂO".
O companheiro sempre virá em primeiro lugar no coraçăo da libriana.
Normalmente elas tem uma sinceridade que pode deixar qualquer um sem jeito diante de suas afirmaçőes ou comentários.
Se vocę é do tipo que gosta que as pessoas que fingem năo ver os seus defeitos, evite pedir opiniőes a libriana. Ela năo esconde o que pensa mesmo que isto provoque alguns maus entendidos. Afinal, se pediu sua opiniăo deve estar preparado para ouvir a verdade, năo é? Mas, ela nunca é grosseira ou deselegante. Normalmente ela é direta sem fazer rodeios. Se uma amiga pergunta se está gorda, ao invés de disfarçar e tentar ser diplomática, a mulher de Libra vai dizer que realmente ela está muito mais gorda do que a ultima vez em que se viram. Antes que a amiga tenha tempo de ter um ataque de baixa estima, ela vai dar-lhe um monte de receitas para perder a barriga, diminuir a papada e levantar o traseiro. A amiga vai estar quase tendo um ataque de nervos, e ela vai completar com a maior naturalidade: "...mas tem muita gente que gosta de mulheres gordas, caso vocę se sinta bem com seu corpo".
Tem gente que acha que a libriana faz isto por maldade, mas năo é. Ela faz por pura inocęncia e pelo amor que tem pela verdade. No fundo ela pensa que esta ajudando a amiga ao invés de fazer com que tenha uma crise de depressăo!
Ela detesta ferir os sentimentos de quem quer que seja. Detesta dizer "năo" e a idéia de ser injusta pode deixa-la doente.
Uma coisa que muitas delas costumam ter é manias.
Quando uma libriana resolve ter uma mania, podem se passar anos até que ela resolva abandona-la. E o pior é que ela nunca acha que tem uma mania. Também costumam levar mais tempo para tomar uma decisăo se pode adiar uma escolha. E o pior é que ela sempre se apressa em negar suas decisőes. A primeira coisa que costuma dizer é : "Eu năo tenho nada de indecisa!"

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O Livro sobre Nada

Manoel de Barros


* Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
* Tudo que não invento é falso.
* Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
* Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
* É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
* Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
* Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
* A inércia é o meu ato principal.
* Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
* O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
* A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
* Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
* Por pudor sou impuro.
* Não preciso do fim para chegar.
* De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.
* Do lugar onde estou já fui embora.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sou eu, ou uma de minhas faces.

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Carlos Drummont de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Mais um ex (coleção):)

(Dói)
Eu falo demais, tem hora q falo bobagem, tem hora q digo exatamente o q quero dizer. Eu escrevo e releio mil vezes o q escrevo, e depois vejo q ainda podia ser melhor, ou pelo menos diferente. Eu sou metamorfose, eu sou múltipla, ensino pelo prazer q tenho em aprender, mas não quero aprender tudo que querem q eu saiba pra fazer mestrado, por exemplo, porque eu descobri que gosto de literatura pelo prazer e não pela análise, e q não quero ser intelectual e nem quero ter filhos,e também quero aprender um dia a morrer, nós q morremos cada dia um pouco. Eu sou vaidosa, mas tenho me despido cada vez mais dela, sou narciso, adoro água e foto q eu tiro de mim, mas tem umas q eu fico mais feia q sou. Eu sou bonita, descobri depois de ser patinha feia. Eu falo palavrão, eu não sei fazer as unhas mas faço sempre, eu sou atriz , mas nunca hipócrita, eu gosto de observar as pessoas, eu gosto de cantar, eu não vou ter tempo de fazer tudo o q quero, eu sou intensa, eu tenho tecla foda-se, eu sou chata, eu sou a mais diplomática, a conselheira sentimental q não vê um palmo na frente pra si mesma, cabra cega, peço opinião, me influencio relativamente fácil, beleza é importante, ler coisas boas é vital, eu não tenho vergonha de dizer q não sei e que ouço música ruim, pq ninguém tem pago minhas contas, nem eu. Eu aprendi a rir de mim mesma, eu descubro prazer em tudo o q faço, inclusive em ser eu mesma. Eu aprendo línguas porque gosto viajar e de gente, mas a média dos seres humanos é medíocre.Eu carrego uma dor como todo mundo, q é, sim, solitária e sem sentido, as outras são sempre necessidade.Não desisto nunca, enfrento o grande da vida seja do tamanho q for, ando errado, pelo simples prazer de ser. Eu sou feliz mesmo com todos os "mas", tenho opiniões e sei argumentar pra convencer quem eu quiser delas, mas só se eu estiver a fim.Cada vez mais eu vou além do q acho q poderia, e isso não me assusta nem me conforta. Eu dou as cartas e consigo tudo tudo o que quero, sempre.

"Vc, Harry, sempre foi um artista e um pensador, um homem cheio de fé e de alegria, sempre ao encalço do grande e do eterno, nunca se contentando com o bonito e o mesquinho. Mas quanto mais foi despertado pela vida e conduzido para dentro de si mesmo, tanto maior tornou-se sua necessidade, tanto mais fundo mergulhou no sofrimento, na timidez, no desespero, mergulhou até o pescoço,e tudo o que no passado conheceu, amou e venerou como belo e santo, toda a sua fé de então nos homens e em nosso elevado destino, nada pôde ajudá-lo, tudo perdeu o valor e se fez em pedaços. Sua fé não encontrou mais ar que respirasse. E a morte por asfixia é uma morte muito dura. Não é verdade, Harry? Não é este o seu destino?(...) Vc trazia no íntimo uma imagem da vida, uma fé, uma exigência; estava disposto a feitos, a sofrimentos, a sacrifícios e logo aos poucos notou que o mundo não lhe pedia nenhuma ação, nenhum sacrifício nem algo semelhante; que a vida não é nenhum poema épico, E quem aspira a outra coisa e traz em si o heróico e o belo,a veneração pelos grandes poetas ou a veneração pelos santos,não passa de um louco ou de um Quixote. (...). Mas como tivesse bons olhos e ouvidos, e, além disso, fosse curiosa, examinei a vida com certa atenção,observei meus vizinhos e conhecidos, mais de cinqüenta pessoas e destinos, estavam mil vezes certos, assim como os seus, mas a vida, a realidade não tinha razão. Pensa que eu não pude reconhecer sua angústia diante do Fox-trot, sua repugnância pelos bares e (...) Compreendia e muito bem, como compreendia seu horror pela política, sua tristeza pelo palavreado vão e a conduta irresponsável dos partidos e da imprensa; seu desespero diante da guerra, as passadas e as futuras; pela maneira como hoje se pensa, se lê, se edifica, se compõe música, se celebram as festas e se educa! Vc tem razão, Lobo da Estepe, mil vezes razão e contudo terá de perecer. Vive demasiadamente faminto e cheio de desejos para um mundo tão singelo, tão cômodo, que se contenta com tão pouco; para o mundo de hoje em dia, que lhe cospe por cima, vc tem uma dimensão a mais" Herman Hesse